As abelhas, fundamentais para a polinização e equilíbrio dos ecossistemas, têm sido progressivamente afastadas dos meios urbanos. A crescente urbanização, a redução de espaços verdes, o uso excessivo de pesticidas e a plantação de espécies exóticas sem interesse para os polinizadores são algumas das principais causas deste afastamento.
Cortar todas as ervas, especialmente em espaços urbanos e periurbanos, tem um impacto direto e negativo sobre as abelhas. Muitas das chamadas “ervas daninhas” — como o trevo, o dente-de-leão ou a malva — são, na verdade, fontes ricas de néctar e pólen, essenciais para a alimentação das abelhas, sobretudo nos períodos em que há poucas flores cultivadas a florir.
Ao eliminar essas plantas de forma sistemática, estamos a reduzir drasticamente a disponibilidade de alimento, enfraquecendo colónias e prejudicando abelhas solitárias. Esta prática, frequentemente justificada por razões estéticas ou de manutenção, empobrece o solo, quebra cadeias ecológicas e afasta os polinizadores das cidades.
Manter algumas zonas com flora espontânea é um gesto simples, mas poderoso, para apoiar a biodiversidade urbana e proteger serviços ecológicos fundamentais, como a polinização.
Para inverter esta tendência, é essencial criar jardins urbanos com plantas melíferas — como alecrim, lavanda, tomilho, funcho e esteva — que florescem em diferentes alturas do ano e oferecem néctar e pólen em abundância.
Mesmo em ambiente urbano, as abelhas desempenham um papel vital no ecossistema. São responsáveis pela polinização de árvores de fruto, hortas urbanas, flores e plantas ornamentais, contribuindo diretamente para a produção de alimentos, a regeneração da vegetação e a manutenção da biodiversidade nos parques, jardins e varandas das cidades.
A sua presença favorece também outras espécies — aves, insetos e pequenos mamíferos — que dependem de frutos e sementes polinizadas. Ao polinizarem as plantas, as abelhas ajudam a purificar o ar, a regular a temperatura e a melhorar a qualidade do solo — serviços ambientais essenciais mesmo nos centros urbanos.
Proteger as abelhas nas cidades é garantir um ambiente mais saudável, resiliente e sustentável para todos.
